terça-feira, 21 de abril de 2009

O Menino do Pijama Listrado

Feriado com tempo frio e chuvoso para muitos é sinônimo de "sessão pipoca".
Para mim, hoje esta relação se tornou verdadeira, mas apenas pelo meu total relaxamento e desprezo com os estudos ou qualquer outro tipo de obrigação. Eu poderia estar aproveitando o tempo livre para ler algumas xerox, resolver algumas questões da faculdade, porém... Não to com saco!

Talvez, por um reles peso na consciência, resolvi ver um filme que acrescentasse algo a minha vida. Fui lá na "devedeoteca pirata" da casa, procurar algo de interessante. Alguns blockbusters clichês, aventuras com explosões e sem enredo e tentativas frustradas de filmes cult. E diante dessas desanimadoras opções, apenas um título me chamou a atenção: O MENINO DO PIJAMA LISTRADO.

Uma cruel realidade vista pelo ingenuo olhar de uma criança. Essa é a premissa que é majestosamente trabalhada no filme tornando-o emocionante. A inocência de Bruno, menino alemão de 8 anos filho de um líder nazista, é a mola-mestra do longa. Através dela, não se faz apenas uma crítica ao nazismo, mas também a toda a estupidez na qual os adultos fazem por serem exatamente adultos, e por isso não verem o mundo como crianças.
Ao ter contato com um menino judeu - Shmuel - preso em um campo de concentração, cria-se um laço de amizade, apesar de Bruno estar separado dele por uma cerca elétrica, pelo preconceito de toda uma sociedade e por uma guerra.
O menino judeu recupera, a partir de sua amizade com Bruno, uma infância que fora roubada pela crueldade da guerra. Já o menino alemão tem em sua relação com Shmuel exatamente a perda dessa infância, por entrar em contato com um realidade tão perversa, que o leva a questionar a figura de seu pai e sua própria cultura.
Entretanto, contraditoriamente, este motivo leva a relação entre os dois ser mais valiosa para Bruno, já que, em meio a uma sociedade com conceitos cristalizados, ele fora o único que ganhara a oportunidade de conhecer outra realidade, de pensar diferente, de ter suas próprias idéias.
Tudo graças a sua inocência.

Em certos pontos, eu tive uma certa identificação com Bruno.
Primeiro por ele ter o cabelo identico ao meu quando era criança. Até um redemoinho no mesmo lugar!
E também, porque assim como ele, as lições mais preciosas que aprendi, foram através das amizades que mais eram distantes da minha realidade. Odeio terminar com frases assim, porque parece cliche e até um pouco sensacionalista, mas: "Aprende-se mais com quem é julgado do que com quem se julga".

O Banco da Praça

Dia desses rolou uma conversa na faculdade sobre a nossa adolescência. Todos contavam suas mirabolantes aventuras temperadas com sexo, drogas e rock n'roll. Tenho que confessar que me impressionei com a naturalidade na qual se desenrolava o papo e o quanto a realidade de pessoas tão normais e que estavam tão próximas a mim era tão distante da realidade na qual eu convivi por toda a minha vida. Percebi que em todos esses anos eu vivi em um mundo de fantasia, ingenuo, simples e inocente como uma história para ser contada para criancinhas.

"No reino de Cascadura, bravos jovens se unem pelo destino para viverem grandes travessuras, enfrentando perversos obstáculos contra a pura amizade que nascia entre eles."

Por um momento, pensei nisso como algo negativo. Tive dispensável participação na conversa, pois estava me sentindo um tanto quanto infantil e bobo. Esse pensamento se fixou em minha cabeça até alguns dias atrás, quando "bravos jovens unidos pelo destino" passaram um dia comigo no meu novo "reino". Bem, a "travessura" que vivemos nesse dia? Nenhuma, só ficamos juntos, e as coisas foram se ajeitando. Dançar na Praia Vermelha, fazer mímica no banco da praça, rodar pelas estátuas e simplesmente autistar, me trouxe de volta ao meu eixo.
Nenhum dia da minha faculdade com bar, cerveja e matança de aula, foi melhor do que este. Agir infantil e espontaneamente foi muito mais esclarecedor e rico de conteúdo do que qualquer aula.

Percebi que cada um se encontra de alguma forma. Alguns de uma forma bem mais emocionante, vibrante ou excitante. Mas pra mim, basta um banco de praça, meus amigos e um pouco de autismo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Nascimento do (blo)Gui

Depois de 8 anos do nascimento de seu primeiro filho, Márcia foi ao ginecologista. O médico lhe disse que estava tudo ok, e aconselhou-a a parar de usar a pílula anticoncepcional, afinal depois de tanto tempo, o remédio não funcionava mais do que farinha.
Imagino que para ela deve ter sido confortante, e principalmente para o seu marido (menos gastos = alegria), e bem que isso merecia uma comemoração.
Mas mal sabiam eles, que devido a essa comemoração, 9 meses depois eles estariam perdidos na Tijuca. Márcia, desesperada (nada mais comum) com sua barriga enorme, e Joe, ferindo seu orgulho, pedindo informação de onde era o hospital. E não é que eles se informaram com a pessoa certa? O moço que lhes disse o local, era exatamente o anestesista que estava correndo para o hospital para fazer o parto do filho deles!
Chegando ao local, Márcia ainda se trancou no banheiro, para poder esperar o padrinho vir com a filmadora! Porém era melhor nem ter filmado a cesária, pois no final ela soltou a primeira frase para seu filho: "Mas que cara de paraíba!"

E assim eu nasci.

Prazer, este sou eu, e esse foi o começo da minha história.
Desajeitada, desengoçada e abençoada, como tem sido toda minha vida!
E do mesmo jeito, eu inauguro o BloGui!

Seja bem vindo!