terça-feira, 21 de abril de 2009

O Banco da Praça

Dia desses rolou uma conversa na faculdade sobre a nossa adolescência. Todos contavam suas mirabolantes aventuras temperadas com sexo, drogas e rock n'roll. Tenho que confessar que me impressionei com a naturalidade na qual se desenrolava o papo e o quanto a realidade de pessoas tão normais e que estavam tão próximas a mim era tão distante da realidade na qual eu convivi por toda a minha vida. Percebi que em todos esses anos eu vivi em um mundo de fantasia, ingenuo, simples e inocente como uma história para ser contada para criancinhas.

"No reino de Cascadura, bravos jovens se unem pelo destino para viverem grandes travessuras, enfrentando perversos obstáculos contra a pura amizade que nascia entre eles."

Por um momento, pensei nisso como algo negativo. Tive dispensável participação na conversa, pois estava me sentindo um tanto quanto infantil e bobo. Esse pensamento se fixou em minha cabeça até alguns dias atrás, quando "bravos jovens unidos pelo destino" passaram um dia comigo no meu novo "reino". Bem, a "travessura" que vivemos nesse dia? Nenhuma, só ficamos juntos, e as coisas foram se ajeitando. Dançar na Praia Vermelha, fazer mímica no banco da praça, rodar pelas estátuas e simplesmente autistar, me trouxe de volta ao meu eixo.
Nenhum dia da minha faculdade com bar, cerveja e matança de aula, foi melhor do que este. Agir infantil e espontaneamente foi muito mais esclarecedor e rico de conteúdo do que qualquer aula.

Percebi que cada um se encontra de alguma forma. Alguns de uma forma bem mais emocionante, vibrante ou excitante. Mas pra mim, basta um banco de praça, meus amigos e um pouco de autismo.